quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007



Viagem no tempo dos botões que já jogamos.


O ser humano sempre tenta inovar e evoluir. Assim também aconteceu no futmesa.
Desde a década de 20, usava-se o famoso "Celotex", nome que Decourt deu ao Futebol de Mesa, porque a mesa onde era jogado era feita de um material importado, usado em divisórias, chamado "Celotex", isto em 1930.

No fim da década de 60 começa o uso de "tampa de relógio" no Futebol de Mesa. As "tampas" eram na verdade, a cobertura transparente do mostrador de relógios de bolso.
Muitos derretiam vela no fundo da tampa para dar mais peso aos botões de defesa, outros já colavam as carinhas dos jogadores que saiam em jornais e revistas da época.
O goleiro era de caixa de fósforos, “bombado” com parafusos e porcas dentro da caixa para ganhar peso, e depois era ricamente enfaixado com duréx preto ou colorido.

Paralelamente a esse artesanato todo, apareciam os botões da fábrica Jofer, que muitos trocavam os jogadores, já que era possível abrir o fundo do botão e fazer a troca.
As traves eram menores que as de hoje e não tinha filó como rede, mas eram de plástico e os goleiros eram feitos apenas de uma fachada de botão com uma varinha para ser movido. Muitos jogavam movimentando o goleiro, outros já os mantinham fixos.

Em 1972, Paulo Brianezi, lança no mercado botões “Brianezi” feitos em acetato de celulóide e decorados com números e escudos dos principais Clubes do Brasil.
Eram bons de jogo e muito bonitos e foi nessa época que lançaram a bolinha de lã.
Deixava de ser o disco, era redonda, mas em lançamentos longos perdiam a direção.
Ainda nessa época a Estrela cria o “Estrelão” – primeira mesa de botão que se podia comprar, já pronta e demarcada. A Estrela também tinha sua linha de times, mas a sua bola ainda era o disco.

Um dos grandes reflexos do efeito-futebol real no futebol de mesa, nota-se nos anos 80 quando os times comprados no mercado, já não vinham mais com o rosto do jogadores, mas apenas com o escudo do time, pelo fato dos jogadores já mudarem muito de clubes.

Finalmente, em meados dos anos 80, os botões feitos á mão e sob medida, por Marcelino Toscano, pai do Edu, da “Edú Botões”, Lorival de Lima, o Gepeto e outros tantos artistas, sim porque não acho definição melhor pra eles a não ser Artistas do Futmesa, pois criam no torno obras que fazem a magia do nosso esporte.
Botões feitos em acrílico importado, bolas em feltro, precisas, como o jogo exige, traves muito bem feitas, enfim, temos hoje o melhor material em nossas mãos de técnicos.

Ao final dessa breve viagem no tempo dos botões, fica a seguinte pergunta no ar:
Como será a nova geração de botões, bolas e traves?
É nosso dever, na era de informática e games, deixar esse legado vivo em nossos filhos e netos, pra que um dia possamos ter a resposta pra pergunta feita acima.

Privilégio ser botonista há tantos anos como sou, e um privilégio ter feito tantos amigos em torno de uma mesa de botão!